TALVEZ UM DIA

TALVEZ UM DIA

SINOPSE 

Talvez Um Dia alguma coisa aconteça. Talvez Um Dia acorde e tudo seja diferente.
Um exercício poético assente numa composição teatral que nos remete para a ilusão de que tudo se resolverá por si, desresponsabilizando-nos dos nossos actos enquanto nos acudimos numa esperança infinita, invisível e incongruente. O problema está na culpa, que ninguém a quer.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA

Texto, encenação e música Rui Alves Leitão
Interpretação e movimento Neusa Fangueiro e Tanya Ruivo
Cenografia Carlos Neves
Figurinos Filipa Carolina
Desenho de Luz Paulo Neto
Produção Executiva Ana de Sousa Vieira
Técnico César Cardoso
Fotografia Margarida Ribeiro
Vídeo Rúben Marques

Parceiro institucional República Portuguesa – Ministério da Cultura
Co-produção Fértil Cultural, Casa das Artes de Famalicão e Teatro Diogo Bernardes
Apoio Município de Famalicão, Município de Ponte de Lima, ENIF

Talvez Um Dia

PROPOSTA ARTÍSTICA

Rui Alves Leitão, autor e encenador do espectáculo, propõe uma criação que aborde a esperança infinita. Um padrão muito típico na nossa sociedade ocidental. A partir desta atitude/pensamento de que tudo se resolve e o que é preciso é ter fé e esperança, “Talvez Um Dia” é uma criação que pretende uma reflexão sobre a inércia de algumas atitudes que nos estão intrínsecas e quando corre mal, a culpa nunca é nossa, mas sim de quem deveria ter feito alguma coisa para resolver o problema, sendo que ninguém ficou responsável por isso. Se não houver culpados, talvez fosse azar, ou talvez tenha sido de responsabilidade divina, talvez para nos castigar ou por mera distracção.

Esta temática, apesar da sua aparência simples, é causadora de uma grande confusão social e até filosófica na sociedade moderna. É a partir de uma análise antropológica a esta temática que o autor se propõe a esta criação. Hoje, mais do que nunca, os conflitos de pensamento, religiosos ou outros, são cada vez mais evidentes. Mas tal como em outras questões, a sociedade acaba sempre por ser escrava de uma grande confusão de conceitos e preconceitos, por falta de um conhecimento mais aprofundado daquilo que defende.

“Talvez Um Dia” acontece num espaço ambíguo onde duas personagens se refugiam do pântano que se encontra no exterior, que representa o mundo real. Neste espaço ambíguo, que não se reconhece como espaço nenhum ou, segundo o autor, o “nada”, estas personagens deixam de ter nome e com o passar do tempo vão deixando até de ter personalidade, aludindo à formatação de pensamento tornando-se as duas como uma só. É neste espaço que elas discutem algumas das coisas que lhes incomoda no exterior do “nada”. Queixando-se, mas ao mesmo tempo com uma réstia de esperança que vive num vai e vem muito pouco definido. “Talvez Um Dia” alguma coisa aconteça.

Assente numa linguagem poética, esta composição teatral pretende ser um espectáculo sensorial, emocional e de uma reflexão da existência humana. Sem que se chegue a nenhuma conclusão ou que pretende qualquer alusão à moral, “Talvez Um Dia” pretende apenas um momento de questionamento mútuo entre o actor e o espectador.