Bem hajam todos que celebraram o Dia Mundial do Teatro connosco

O dia de ontem foi mais um dia memorável para Fértil Cultural. Tivemos a casa cheia, o que muito nos emociona nos dias que tanto se fale dos apoios às artes, pelo menos o nosso público continua a dar-nos alento para continuarmos o nosso caminho.

Somo também felizes, que depois de ler-mos algumas notícias, fomos presenteados com a presença dos políticos locais, quer o Sr. Vereador da Cultural de V. N. de Famalicão, Dr. Leonel Rocha, quer pelo Presidente da União de Freguesias de Gondifelos, Cavalões e Outiz, Sr. Manuel Novais.

O público, esse veio de vários locais, a quem temos um profundo agradecimento, quer ao público nosso vizinho, como aquele que veio de mais longe para nos conhecer e partilhar connosco esta magnífica noite.

Ficam algumas imagens da noite para a posteridade.

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2018 de Sabina Berman

Das cinco mensagens que este ano foram publicadas para o Dia Mundial do Teatro, a Fértil Cultural seleccionou a mensagem de Sabina Berman. Queremos com esta mensagem partilhar um sentimento comum que nos une desde há muitos anos, o teatro.

Dedicamos este dia ao nosso público e camaradas de palco.

Viva o Teatro.

Mensagem de Sabina Berman, México
Escritora, dramaturga, jornalista Podemos imaginar.

A tribo caça pássaros lançando pequenas pedras no ar, quando um gigantesco mamute surge na cena e RUGE – e, ao mesmo tempo um pequeno humano RUGE como o mamute. Logo, todos fogem…

Esse rugido de mamute proferido por uma mulher humana – quero imaginá-la mulher – é a origem do que nos torna a espécie que somos. Uma espécie capaz de imitar o que não somos. Uma espécie capaz de representar o Outro.

Saltemos dez anos, ou cem, ou mil. A tribo aprendeu a imitar outros seres e representa no fundo da caverna, na luz trêmula de uma fogueira, quatro homens são o mamute, três mulheres são o rio, homens e mulheres são pássaros, chimpanzés, árvores e nuvens: a tribo representa a caçada da manhã, capturando o passado com seu dom para o teatro. Mais surpreendente: assim a tribo inventa possíveis futuros, ensaiando possíveis maneiras de vencer o inimigo da tribo, o mamute.

Rugidos, assobios, murmúrios – a onomatopéia desse primeiro teatro – se tornarão linguagem verbal. A linguagem falada se tornará linguagem escrita. Seguindo esse caminho, o teatro se tornará rito e, logo mais, cinema. E na semente de cada uma destas formas, continuará presente o teatro. A forma mais simples de representação. A única forma viva de representação. O teatro, que quanto mais simples é, mais intimamente nos conecta com a mais maravilhosa habilidade humana, a de representar o Outro.

Hoje, em todos os teatros do mundo, celebramos essa gloriosa habilidade humana de fazer teatro. De representar e assim, capturar nosso passado para entende-lo – ou de inventar possíveis futuros, que podem trazer mais liberdade e felicidade à tribo.

Eu falo, claro, das peças que realmente importam e transcendem o entretenimento. As peças

que importam, hoje são propostas da mesma forma que as mais antigas: derrotar os inimigos contemporâneos da felicidade da tribo, graças à capacidade de representar.

Quais são os mamutes a serem vencidos hoje no teatro da tribo humana?

Eu digo que o maior mamute de todos é a alienação dos corações humanos. A perda da nossa capacidade de sentir com os Outros: sentir compaixão. E nossa incapacidade de com o Outro não-humano: a Natureza.

Que paradoxo. Hoje, nas margens finais do Humanismo – da era do Antropoceno – da era em que os seres humanos são a força natural que mais se transformou e mais transformou o planeta – a missão do teatro é inversa à que reuniu a tribo originalmente para fazer o teatro no fundo da caverna: hoje, devemos resgatar nossa conexão com o mundo natural.

Mais do que a literatura, mais do que o cinema, o teatro – que exige a presença de seres humanos diante de outros seres humanos – é maravilhosamente adequado à tarefa de nos salvar de nos tornarmos algoritmos. Abstrações puras.

Deixe-nos remover do teatro tudo o que é supérfluo. Deixe-nos desnudá-lo. Porque quanto mais simples é o teatro, mais fácil é lembrar-nos do único fato inegável: nós somos, enquanto estamos no tempo; que somos enquanto somos carne e osso e corações batendo em nosso peito; que somos o aqui e agora, apenas.

Viva o teatro. A arte mais antiga. A arte mais presente. A arte mais maravilhosa. Viva o teatro.

Tradução para português: Renato Alves

Dia Mundial do Teatro na Casa da Pedreira

A Fértil convida-vos a assistir ao espectáculo Primavera, no dia 27 de Março, às 21h30, no nosso espaço, a Casa da Pedreira, Rua do Barroco n.º 196, Gondifelos.

No dia 27 de Março comemora-se o Dia Mundial do Teatro, o que é para nós um dia de grande celebração. É também um dia de reflexão sobre a importância ou pertinência do Teatro na história da humanidade e na actualidade. Em todo o mundo serão apresentados espectáculos de teatro, alguns deles estreias, e também muitas conversas em volta desta nobre arte.

No final do espectáculo teremos uma conversa aberta com o público.