Mensagem do 8.º aniversário da Fértil

Oito anos. Quase nem dá para acreditar. Sabemos que é apenas um número e vale o que vale, mas no nosso caso é um número que carrega connosco uma história e sobretudo uma vitória. Sim, sentimo-nos vitoriosos de ainda existirmos e de nunca desistirmos. Confessamos que foram muitas as vezes que tentamos parar, desistir e abandonar, mas houve sempre mais uma vez que decidimos continuar. Esta sensação de desistência e resiliência não é uma coisa do passado longínquo, continua actual.

O ano de 2018, tem sido incrível no número de coisas que nos tem vindo a acontecer. É para nós bastante esperançoso a forma de como temos conseguido conquistar o nosso espaço de acção. Este nosso oitavo ano de existência promete ser um ano de grandes desafios, quer pela aceitação dos nossos projectos por algumas entidades, quer pela quantidade de convites que temos vindo a ter para novas criações e direcções artísticas de vários projectos.

Partilhamos este ano de um certo júbilo de todo o nosso esforço feito e de nunca termos deixados cair o projecto da Fértil. Temos objectivos muito específicos, e por isso, muitas vezes os nossos projectos artísticos nem sempre são bem aceites neste novo mundo global e de vidas intensas de absolutamente nada. Tudo é rápido e nada existe. Nunca fomos de modas, nem nunca tivemos a pretensão de sermos mais do que o que somos. A Fértil assenta todos os seus ideais criativos, estéticos e filosóficos, na relação de simbiose entre a comunidade artística e a comunidade envolvente. E com esta relação viemos a conquistar o nosso espaço de acção e intervenção, local e nacional, assim como o público. É nisto que acreditamos e é através desta nossa visão que pretendemos desenvolver todo o nosso trabalho.

Feitos os 8 anos de vida, preparamo-nos para novas etapas da nossa vida, quiçá, se deitarmos (literalmente) o número oito, para uma etapa infinita.

Fica o nosso enorme bem haja ao público que nos segue, sem ele nós não fazemos sentido. Bem hajam também a todos os que colaboraram e ainda colaboram connosco durante este oito anos. Por fim, bem hajam às estruturas que nos apoiam financeiramente e às entidades parceiras.

Todos somos muitos.

A direcção artística,
Neusa Fangueiro
Rui Alves Leitão

Bem hajam todos que celebraram o Dia Mundial do Teatro connosco

O dia de ontem foi mais um dia memorável para Fértil Cultural. Tivemos a casa cheia, o que muito nos emociona nos dias que tanto se fale dos apoios às artes, pelo menos o nosso público continua a dar-nos alento para continuarmos o nosso caminho.

Somo também felizes, que depois de ler-mos algumas notícias, fomos presenteados com a presença dos políticos locais, quer o Sr. Vereador da Cultural de V. N. de Famalicão, Dr. Leonel Rocha, quer pelo Presidente da União de Freguesias de Gondifelos, Cavalões e Outiz, Sr. Manuel Novais.

O público, esse veio de vários locais, a quem temos um profundo agradecimento, quer ao público nosso vizinho, como aquele que veio de mais longe para nos conhecer e partilhar connosco esta magnífica noite.

Ficam algumas imagens da noite para a posteridade.

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2018 de Sabina Berman

Das cinco mensagens que este ano foram publicadas para o Dia Mundial do Teatro, a Fértil Cultural seleccionou a mensagem de Sabina Berman. Queremos com esta mensagem partilhar um sentimento comum que nos une desde há muitos anos, o teatro.

Dedicamos este dia ao nosso público e camaradas de palco.

Viva o Teatro.

Mensagem de Sabina Berman, México
Escritora, dramaturga, jornalista Podemos imaginar.

A tribo caça pássaros lançando pequenas pedras no ar, quando um gigantesco mamute surge na cena e RUGE – e, ao mesmo tempo um pequeno humano RUGE como o mamute. Logo, todos fogem…

Esse rugido de mamute proferido por uma mulher humana – quero imaginá-la mulher – é a origem do que nos torna a espécie que somos. Uma espécie capaz de imitar o que não somos. Uma espécie capaz de representar o Outro.

Saltemos dez anos, ou cem, ou mil. A tribo aprendeu a imitar outros seres e representa no fundo da caverna, na luz trêmula de uma fogueira, quatro homens são o mamute, três mulheres são o rio, homens e mulheres são pássaros, chimpanzés, árvores e nuvens: a tribo representa a caçada da manhã, capturando o passado com seu dom para o teatro. Mais surpreendente: assim a tribo inventa possíveis futuros, ensaiando possíveis maneiras de vencer o inimigo da tribo, o mamute.

Rugidos, assobios, murmúrios – a onomatopéia desse primeiro teatro – se tornarão linguagem verbal. A linguagem falada se tornará linguagem escrita. Seguindo esse caminho, o teatro se tornará rito e, logo mais, cinema. E na semente de cada uma destas formas, continuará presente o teatro. A forma mais simples de representação. A única forma viva de representação. O teatro, que quanto mais simples é, mais intimamente nos conecta com a mais maravilhosa habilidade humana, a de representar o Outro.

Hoje, em todos os teatros do mundo, celebramos essa gloriosa habilidade humana de fazer teatro. De representar e assim, capturar nosso passado para entende-lo – ou de inventar possíveis futuros, que podem trazer mais liberdade e felicidade à tribo.

Eu falo, claro, das peças que realmente importam e transcendem o entretenimento. As peças

que importam, hoje são propostas da mesma forma que as mais antigas: derrotar os inimigos contemporâneos da felicidade da tribo, graças à capacidade de representar.

Quais são os mamutes a serem vencidos hoje no teatro da tribo humana?

Eu digo que o maior mamute de todos é a alienação dos corações humanos. A perda da nossa capacidade de sentir com os Outros: sentir compaixão. E nossa incapacidade de com o Outro não-humano: a Natureza.

Que paradoxo. Hoje, nas margens finais do Humanismo – da era do Antropoceno – da era em que os seres humanos são a força natural que mais se transformou e mais transformou o planeta – a missão do teatro é inversa à que reuniu a tribo originalmente para fazer o teatro no fundo da caverna: hoje, devemos resgatar nossa conexão com o mundo natural.

Mais do que a literatura, mais do que o cinema, o teatro – que exige a presença de seres humanos diante de outros seres humanos – é maravilhosamente adequado à tarefa de nos salvar de nos tornarmos algoritmos. Abstrações puras.

Deixe-nos remover do teatro tudo o que é supérfluo. Deixe-nos desnudá-lo. Porque quanto mais simples é o teatro, mais fácil é lembrar-nos do único fato inegável: nós somos, enquanto estamos no tempo; que somos enquanto somos carne e osso e corações batendo em nosso peito; que somos o aqui e agora, apenas.

Viva o teatro. A arte mais antiga. A arte mais presente. A arte mais maravilhosa. Viva o teatro.

Tradução para português: Renato Alves

Dia Mundial do Teatro na Casa da Pedreira

A Fértil convida-vos a assistir ao espectáculo Primavera, no dia 27 de Março, às 21h30, no nosso espaço, a Casa da Pedreira, Rua do Barroco n.º 196, Gondifelos.

No dia 27 de Março comemora-se o Dia Mundial do Teatro, o que é para nós um dia de grande celebração. É também um dia de reflexão sobre a importância ou pertinência do Teatro na história da humanidade e na actualidade. Em todo o mundo serão apresentados espectáculos de teatro, alguns deles estreias, e também muitas conversas em volta desta nobre arte.

No final do espectáculo teremos uma conversa aberta com o público.