Mensagem do 6º aniversário da Fértil Cultural

Hoje celebramos 6 anos de existência, persistência, resistência, resiliência e outras coisas mais que não nos fazem desistir.

Aquilo que parecia aos olhos de alguns, e ainda parece aos olhos de outros, uma miragem, hoje é um acto de coragem. A Fértil Cultural começa agora a mostrar a sua maturidade e capacidade na criação artística, no trabalho com a comunidade e na educação, os três eixos de acção a que nos propusemos desenvolver no dia 26 de Abril de 2010.

Não baixamos os braços quando nos disseram “não”, e de cada “não” recebido transformarmo-lo num novo “sim”, em outros projectos, com outros parceiros, com outras pessoas que compreendem o valor do nosso trabalho e pretendem trabalhar ao nosso lado.

O ano de 2016 está a ser um ano de viragem para a Fértil Cultural. Está a ser um ano de novas ideias, novas colaborações e até novas formas de trabalhar. De hoje a um ano esperamos estar a escrever-vos de novo, exigindo de nós um novo acto de coragem para enfrentar novas dificuldades. Também pretendemos escrever mostrando-vos que conseguimos atravessar mais uma etapa que agora se avizinha.

Este ano não celebramos com uma festa ou espectáculo, mas celebramos em completa unicidade com cada um de vós que nos tem apoiado e acreditado durante todo este tempo.

Bem hajam pelo vossa apoio.

A direcção artística,

Neusa Fangueiro Rui Alves Leitão

REALIZAR:poesia em Paredes de Coura

Durante o mês de Abril a Fértil Cultural está a produzir o evento REALIZAR:poesia, uma organização da Câmara Municipal de Paredes de Coura. O festival acontece entre os dias 21 e 25 de Abril em vários locais da vila de Paredes de Coura. Toda a informação em: realizarpoesia.com.

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Conciliando vontades, o REALIZAR:poesia propõe um conjunto de linguagens poéticas em volta da acção de realizar conforme é tratada nos versos finais do poema Agora Escrevo de Alexandre O’Neill: “Tratava-se de realizar.// «Realizar»: fazer passar/ Para a realidade”. Este manifesto, que convoca a poesia ao desiderato novo de participação na realidade, anima os diversos momentos deste primeiro evento que terá o privilegiado âmbito de Paredes de Coura como cenário. As propostas, apresentadas por dezenas de convidados nacionais e internacionais, abrangem áreas que vão da conversa à performance, da prelecção ao teatro, do lançamento de obra literária à conferência, da leitura de poesia à musica, do cinema à exposição de acervo bibliográfico, et cetera. Pretende-se, acima de tudo, a divulgação e partilha da experiência poética, entre os seus artífices e todos aqueles que se fizerem presentes nesta mítica localidade. O REALIZAR:poesia iniciar-se-á com a inauguração de “mil anos me separam de amanhã”, iniciativa que supera o designativo “exposição” – uma viagem emocional ao universo de Mário de Sá-Carneiro, no âmbito do centenário da sua morte. A obra deste grande nome da literatura portuguesa é assunto de destaque neste REALIZAR:poesia.

Oficina de Música Reciclada em Monção

No próximo dia 2 de Abril, Rui Alves Leitão irá estar na Bilbioteca Municipal de Monção para uma oficina para pais e filhos de construção de instrumentos a partir do lixo.

Conforme o caixote do lixo permitir, levamos na bagagem uma guitarra, uma kalimba e muitos outros instrumentos de construção mais simples. Vamos ver o que as famílias de Monção irão fazer.

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Mensagem para o Dia Mundial do Teatro 2016 por Anatoli Vassiliev

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Será que precisamos de teatro?
Esta é a questão que milhares de profissionais dececionados com o teatro, e que milhões de outras pessoas que estão cansados dele, perguntam a si próprios.
Para que é que precisamos dele?
Nos anos em que a cena é tão insignificante quando comparada com os bairros das cidades e capitais do mundo, onde estão em cena as autênticas tragédias da vida real.
O que é para nós?
Galerias e balcões dourados em salas de espectáculo, braços de cadeiras aveludadas, bastidores sujos, vozes de actores bem polidas, ou vice-versa, algo que pode ser aparentemente diferente: caixas negras, manchadas com lama e sangue, com um amontoado de corpos nus dentro.
O que é capaz de nos dizer?
Tudo!
O Teatro pode dizer-nos tudo.
Como os deuses habitam nos céus, e como os prisioneiros definham em caves subterrâneas esquecidas, e como as paixões nos podem elevar, e como o amor nos pode abater, e como ninguém precisa de uma boa pessoa neste mundo, e como a mentira reina, e como as pessoas vivem em apartamentos, enquanto crianças murcham em campos de refugiados, e como todos eles terão que voltar ao deserto, e como, dia após dia, somos forçados a nos separar dos nossos entes queridos, – o teatro pode dizer-nos tudo.
O teatro tem sido, e manter-se-à eterno.
E agora, nestes últimos cinquenta ou setenta anos, é particularmente necessário. Porque se observamos como está a arte popular, vemos imediatamente aquilo que apenas o teatro nos está a dar – uma palavra de boca a boca, um olhar de olho a olho, um gesto de mão a mão, e de corpo a corpo. Não precisa de intermediários para trabalhar junto dos seres humanos, -constitui a parte mais transparente da luz, não pertence ao sul, ao norte, este ou oeste, – oh não, é a própria essência da luz, a brilhar nos quatro cantos do mundo, imediatamente reconhecido por qualquer pessoa, quer seja hostil ou amigável para com ele.
E nós precisamos de teatro que permanece sempre diferente, nós precisamos de teatro de diferentes géneros.
Mesmo assim, penso que de todas as possiveis formas e contornos do teatro, são as suas formas mas arcaicas que terão atualmente uma maior procura. O teatro de formas rituais não se deve opor artificialmente ao das nações ditas “civilizadas”. A cultura secular está cada vez mais emasculada, a chamada “cultura informativa” gradualmente substitui e faz desaparecer entidades simples, bem como a nossa esperaça de as encontrar um dia.
Mas eu agora vejo-o claramente: o teatro está a escancarar as suas portas. Admissão livre para todos.
Para o inferno com os aparelhos e computadores – vão simplesmente ao teatro, ocupem filas inteiras nas plateias e nas galerias, ouçam o mundo e vejam as imagens vivas! – é o teatro na vossa frente, não o negligenciem e não percam uma oportunidade de participarem nele – talvez seja a oportunidade mais preciosa que partilhamos nas nossas vidas apressadas e egocêntricas.
Precisamos de todos os géneros de teatro.
Existe apenas um teatro que seguramente não é necessário para ninguém – refiro-me ao teatro do jogo político, o teatro das “armadilhas” políticas, o teatro dos politicos, o fútil teatro da política. O que nós seguramente não precisamos é do teatro do terror diário – quer seja individual ou colectivo, o que nós não precisamos é do teatro dos corpos e do sangue nas ruas e praças, nas capitais e nas provincias, o teatro falso das batalhas entre religões e grupos étnicos…
Tradução do Russo para Inglês: Natalia Isaeva
Tradução para Português: Bruno Daniel Gomes, com revisão de Fernando Rodrigues
Fonte: FPTA – Federação Portuguesa de Teatro

Queima do Judas de Vila do Conde 2016

Acontece, já no próximo sábado 26 de Março, a Queima do Judas de Vila do Conde, como tem vindo a ser habitual nos últimos anos. A Fértil Cultural tem estado presente em todas as edições. Desta vez iremos continuar com o nosso apoio na área musical e técnica.

Queima do Judas 2016 experimenta o renovado espaço da cidade com um novo formato, tanto do ponto de vista performativo como pictórico, integrando ações expositivas em pontos-chave do mercado com um conjunto de apresentações simultâneas, em diferentes palcos, permitindo que o público circule pelos diferentes momentos… No final, todos levam o Judas à fogueira!

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“Morro de Amores” no Teatro Diogo Bernardes

No próximo sábado, 19 de Março, às 22h, é a vez de levarmos o nosso espectáculo “Morro de Amores” ao Teatro Diogo Bernardes – Ponte de Lima. Apareçam!

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